DANOS MORAIS
STJ anula acórdão por falta de julgamento ampliado após divergência sobre o valor da indenização

Ministro Villas Bôas Cueva foi o relator
Foto: Gustavo Lima/STJ

​A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, que a divergência relacionada ao valor da compensação por danos morais, em ações de responsabilidade civil, é matéria de mérito e, portanto, exige a aplicação da técnica de julgamento ampliado prevista no artigo 942 do Código de Processo Civil (CPC).

Para o colegiado, quando há decisão não unânime acerca do valor da indenização, no julgamento de uma apelação, a falta de adoção dessa técnica acarreta a nulidade do acórdão por vício procedimental.

A decisão foi tomada no julgamento de recurso especial (REsp) em que se discutia a validade de um acórdão de apelação proferido por maioria de votos no Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), sem a convocação de novos magistrados para compor o colegiado ampliado.

Um dos desembargadores divergiu quanto ao valor da indenização por danos morais. Apesar disso, a corte estadual declarou que o provimento da apelação havia sido negado por unanimidade, ignorando a divergência registrada na certidão de julgamento. O recurso ao STJ pediu o reconhecimento da nulidade do acórdão.

Valor da indenização alcança o mérito da causa e pode configurar resultado distinto

Em seu voto, o relator do REsp, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, explicou que a ampliação do colegiado é uma técnica a ser aplicada de ofício, com o objetivo de permitir uma análise mais detalhada sobre os pontos de desacordo entre os julgadores. Ele observou que a utilização da técnica tem como intenção privilegiar os esforços para uniformizar a jurisprudência e mantê-la estável, íntegra e coerente.

Porém – explicou –, nem toda divergência justifica a ampliação do colegiado, conforme indica a parte final do caput do artigo 942 do CPC, ao falar da ‘‘possibilidade de inversão do resultado inicial’’. Se a divergência entre os desembargadores for limitada à fundamentação de determinado tópico, sem modificar o resultado final, a ampliação do colegiado não poderá ser exigida – disse o ministro.

No entanto, segundo Villas Bôas Cueva, ‘‘na ação de responsabilidade civil, o mérito da causa alcança a avaliação da extensão do dano sofrido, razão pela qual a divergência de votos em relação a esse fator não caracteriza mera discordância de fundamentação, por ensejar divergência de resultados, justificando, assim, a ampliação do colegiado, na forma do artigo 942 do CPC’’. Com informações da Assessoria de Imprensa do STJ.

Clique aqui para ler o acórdão

REsp 2207919

STARTUPS
Por que as mulheres estão evitando empregos em locais de trabalho ‘‘planos’’

*Por Seb Murray

Promover uma ‘‘hierarquia horizontal’’ com menos níveis de gestão pode soar moderno e progressista. Promete agilidade, igualdade e empoderamento. No entanto, um novo estudo coautorado pelo professor de Administração da Wharton SchoolSaerom (Ronnie) Lee, sugere que, embora organizações horizontais possam atrair alguns candidatos, elas também podem dissuadir discretamente outros –  especialmente mulheres.

‘‘Estruturas horizontais podem parecer igualitárias e inclusivas. Mas, para muitas mulheres, elas podem levantar suspeitas sobre justiça, apoio e oportunidades de crescimento profissional’’, explica Lee.

Em dois experimentos de mercado de trabalho, Lee e seus coautores descobriram que destacar hierarquias mais horizontais com menos camadas de gestão em materiais de recrutamento pode reduzir significativamente a proporção de candidatas, mesmo que o interesse dos homens permaneça o mesmo ou tenha aumentado ligeiramente.

Publicado no Strategic Management Journal no início do ano passado, o estudo foi coautorado com Reuben Hurst, da Smith School of Business da Universidade de Maryland, e Justin Frake, da Ross School of Business da Universidade de Michigan.

Professor Saerom Lee

O que a hierarquia plana diz sobre seu local de trabalho

Para reunir suas descobertas, o trio primeiro realizou um experimento de campo com uma startup de saúde dos EUA. Eles enviaram e-mails de recrutamento para cerca de 8.400 candidatos para duas vagas – uma em Engenharia de Software e outra em Desenvolvimento de Negócios. A única diferença entre os e-mails: alguns mencionaram que a empresa tinha uma estrutura ‘‘plana’’, com menos níveis de gestão, enquanto outros não.

Os resultados foram impressionantes. Quando a estrutura plana foi destacada, a proporção de candidatas caiu oito pontos percentuais – de 27% para apenas 19%.

Os pesquisadores, então, conduziram um segundo estudo, desta vez, uma pesquisa online com quase 8.500 trabalhadores americanos. Este estudo corroborou os resultados anteriores e explicou a lacuna nas candidaturas: as mulheres eram mais propensas do que os homens a associar hierarquias horizontais a oportunidades limitadas de crescimento, cargas de trabalho mais pesadas e pouca adequação cultural.

Locais de trabalho planos não resolvem problemas sistêmicos

As descobertas representam um desafio para as empresas. Em teoria, os locais de trabalho horizontais deveriam ser mais igualitários, inclusivos e empoderadores, especialmente em comparação com as estruturas ‘‘burocráticas’’ tradicionais. Mas, na prática – ou pelo menos na percepção –, muitas mulheres os veem de forma diferente.

O estudo sugere que, com menos estrutura e supervisão gerencial, organizações horizontais podem abrir mais espaço para ‘‘culturas de irmãos’’, que colocam as mulheres em segundo plano. Alguns participantes do estudo afirmaram que teriam dificuldade para se encaixar nessas empresas.

Uma entrevistada reconheceu que uma estrutura horizontal ‘‘tem o potencial de reduzir a burocracia desnecessária. No entanto, isso por si só não resolverá problemas sistêmicos como os enfrentados pelas mulheres em muitas empresas’’. Outra observou que organizações horizontais podem ‘‘impedir a ascensão de funcionários marginalizados’’.

Como as startups podem impulsionar a diversidade de gênero

As conclusões do estudo têm um peso especial para startups. Fundadores frequentemente preferem estruturas horizontais para se moverem rapidamente e se manterem ágeis. Mas esta pesquisa revela que um organograma enxuto pode ter um custo oculto: menos mulheres no grupo de candidatos. Se não for abordado, isso pode consolidar o que alguns chamam de ‘‘dívida de diversidade’’, em que uma equipe inicial homogênea se torna mais difícil de diversificar à medida que a startup expande seus negócios.

‘‘Para empresas que buscam contratar mais mulheres, a mensagem é bem clara: hierarquia horizontal nem sempre parece justa’’, disse Lee. ‘‘Se uma hierarquia horizontal é essencial para a identidade da sua empresa, evite enfatizá-la demais no recrutamento – ou combine-a com garantias claras sobre justiça, carga de trabalho e progressão na carreira.’’

A lição não é abandonar estruturas horizontais, mas reconhecer suas consequências posteriores sobre quem opta por se candidatar. As startups podem manter a agilidade e a abertura que tais estruturas podem proporcionar, ao mesmo tempo em que abordam as percepções que impedem as mulheres de se candidatarem. Isso pode exigir a comunicação de critérios de promoção transparentes, o esclarecimento de funções e a demonstração de práticas inclusivas, além de qualquer menção à horizontalidade.

Abordar essas preocupações precocemente pode ajudar as empresas jovens a atrair um conjunto mais amplo de talentos, evitar a dívida de diversidade e construir uma equipe mais inclusiva e dinâmica – melhor posicionada para escalar e competir a longo prazo.

Wharton School é a primeira escola de negócios universitária do mundo, fundada em 1881, na Universidade da Pensilvânia, Estados Unidos. É uma instituição de referência global em Administração e Marketing, conhecida por seus programas de graduação e pós-graduação, como o MBA, e por sua forte ligação com a comunidade empresarial.

*Seb Murray é articulista da Knowledge at Wharton, o jornal de negócios da Wharton School

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PROTOCOLO DE INCLUSÃO
Banco do Brasil é condenado a colocar autista em trabalho 100% remoto em Mogi das Cruzes (SP)

O Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015) prevê, em seu artigo 34, que é assegurado à pessoa com deficiência o direito ao trabalho de sua livre escolha e aceitação, em ambiente acessível e inclusivo, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas.

Amparada nesta e noutras proteções legais, inclusive de caráter internacional, a 2ª Vara do Trabalho de Mogi das Cruzes (SP) determinou que o Banco Brasil deve colocar empregado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em regime de trabalho 100% remoto, sob pena de multa diária de R$ 10 mil.

O entendimento, com base em laudos periciais de Medicina, Psicologia e Assistência Social, foi o de que a remoção de barreiras promovida pelo teletrabalho integral oferece melhores condições para o profissional, incluído entre as pessoas com deficiência. Os laudos sugerem nova avaliação do caso após dois anos.

Empregador indeferiu pedidos do empregado

O trabalhador havia feito, administrativamente, pedidos de adaptação ao Banco do Brasil: redução de carga horária em caráter permanente e trabalho remoto no formato híbrido, já que também apresentava patologias na coluna. Teve, no entanto, ambos negados, sob alegação de que não havia norma interna que permitisse as adaptações solicitadas.

Na sentença, o juiz Rodrigo Rocha Gomes de Loiola apontou o normativo da empresa anexado aos autos que permite a atuação à distância, até mesmo com prioridade aos funcionários com deficiência. ‘‘Mesmo assim, não foi oferecida ao reclamante a possibilidade de teletrabalho parcial ou integral, ainda que em outro setor’’, pontuou o magistrado.

Embasado na Constituição Federal, na Lei Brasileira de Inclusão, em outras legislações nacionais e em tratados e convenções internacionais ratificadas pelo Brasil sobre direitos humanos, o julgador considerou que a parte reclamada violou o dever de propiciar um meio de trabalho adaptado e seguro ao empregado. Determinou, assim, que o banco integre o profissional a alguma equipe que já atue no formato remoto, até mesmo de outra cidade ou Estado, o que não acarreta prejuízo ao homem já que trabalhará a partir da própria residência.

Para decidir, o magistrado levou em consideração diretrizes estabelecidas no Protocolo para Atuação e Julgamento com Perspectiva Antidiscriminatória, Interseccional e Inclusiva, elaborado pelo Tribunal Superior do Trabalho.

Da sentença, cabe recurso ordinário trabalhista (ROT) ao Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2, São Paulo).

21 de setembro: Dia Nacional de Luta do Deficiente

O próximo domingo, 21 de setembro, será o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. A data chama atenção para os direitos de milhões de brasileiros que ainda enfrentam barreiras para conquistar espaço no mercado de trabalho.

A legislação brasileira garante proteção especial. A Constituição assegura igualdade e proíbe qualquer forma de discriminação. A Lei 8.213/1991 criou a chamada Lei de Cotas, que obriga empresas com 100 ou mais empregados a reservarem uma porcentagem de vagas para pessoas com deficiência. Já o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015) reforça o direito de trabalhar em um ambiente inclusivo, com condições iguais e dignas.

Mas, na prática, os obstáculos ainda são grandes. Muitos trabalhadores com deficiência relatam que enfrentam preconceito velado, falta de acessibilidade e ausência de adaptações simples que poderiam fazer toda a diferença. Situações de capacitismo vão desde a recusa em contratar até a dispensa sem justa causa logo após o pedido de adaptações razoáveis. Capacitismo é o nome dado à discriminação contra pessoas com deficiência. É o preconceito que finge ser ‘‘cuidado’’ e vem disfarçado de ‘‘proteção’’. Ele se manifesta quando alguém presume que uma pessoa com deficiência é menos capaz, menos produtiva ou menos inteligente.

A Justiça do Trabalho tem reiterado que negar adaptações é discriminar. O dever do empregador não se resume a abrir vagas, mas também garantir que o ambiente seja acessível, respeitoso e preparado para acolher cada trabalhador conforme suas necessidades. Não basta abrir portas – é preciso garantir que todos possam entrar, permanecer e crescer.

Neste 21 de setembro, a reflexão é urgente: inclusão não é apenas uma questão de legislação, é também uma forma de valorizar talentos e fortalecer a diversidade no mundo do trabalho. Garantir igualdade real para pessoas com deficiência significa romper com preconceitos e construir ambientes verdadeiramente justos e humanos, livres do capacitismo.

Que a comunicação, o diálogo e a empatia sejam a base das relações de trabalho. Que todas as empresas garantam ambientes acessíveis, tanto físicos quanto digitais. A deficiência deve ser vista apenas como mais uma característica da rica diversidade humana.

Com informações da Secretaria de Comunicação Social (Secom) do TRT-2 e da Assessoria de Imprensa do TRT-3,  Minas Gerais.

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ATSum 1000262-28.2025.5.02.0372 (Mogi das Cruzes – SP)

TRABALHO INTELECTUAL
Telefônica deve pagar R$ 1,5 milhão a analista por criação de softwares em Minas Gerais

A Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) rejeitou recurso da Telefônica Brasil S.A. contra a condenação ao pagamento de R$ 1,5 milhão a um analista de sistemas que, durante mais de 36 anos, desenvolveu softwares que geraram lucros milionários à empregadora. Para o colegiado, a empresa, ao aceitar as criações por tanto tempo e lucrar com elas, gerou no trabalhador uma legítima expectativa de compensação, caracterizando um ajuste tácito.

Programas geraram retorno de milhões 

Na ação, o analista de sistemas disse ter sido responsável pela criação e pelo desenvolvimento de projetos inovadores e pioneiros que geraram grandes retornos financeiros e economia à empresa. Um dos programas foi repassado para oito empresas, em transações de cerca de R$ 23 milhões.

De acordo com as provas, a Telefônica continuou a usar os sistemas mesmo após a saída do empregado. A indenização pedida visava compensar o seu trabalho.

O juízo de primeiro grau condenou a Telefônica Brasil a pagar R$ 3,12 milhões ao analista, sob a forma de ‘‘justa remuneração’’ pelos inventos. O Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-3, Minas Gerais) manteve a sentença, mas reduziu o valor para R$ 1,54 milhão. Para o TRT, os softwares foram desenvolvidos como contribuição pessoal, e não como parte da atividade remunerada do analista.

Caso se enquadra na Lei do Software

O ministro Agra Belmonte, relator do recurso da Telefônica no TST, aplicou ao caso a Lei do Software (Lei 9.609/1998), que especifica as hipóteses em que os direitos, nas relações de trabalho, pertencerão ao empregador ou ao empregado.

Conforme a norma, pertencem ao empregador os direitos relativos ao programa de computador desenvolvido e elaborado na vigência do contrato de trabalho expressamente destinado a pesquisa e desenvolvimento ou em que a atividade do empregado decorra da própria natureza do vínculo.

Ao empregado, por sua vez, pertencem os direitos relativos a programa gerado sem relação com o contrato de trabalho e sem a utilização de recursos, informações tecnológicas, segredos industriais e de negócios, instalações ou equipamentos do empregador.

Analista tem direito à compensação

Embora considere que, no caso do analista, o desenvolvimento dos softwares fosse compatível com a função contratual, Agra Belmonte ressaltou que ele tem direito a um incremento na remuneração, em razão do ‘‘inegável retorno econômico-financeiro’’ obtido pela empresa.

Segundo o relator, a presunção de que os programas pertencem ao empregador não afasta a possibilidade de compensação financeira ao empregado.

Na avaliação do ministro, o fato de a empresa ter permitido e aceitado as criações por 36 anos gerou no analista uma expectativa legítima nesse sentido, caracterizando um ajuste tácito. Ele também lembrou que não seria justo que a empresa tivesse lucros elevados e o analista não recebesse nenhuma remuneração adicional.

Sobre o valor da reparação, Belmonte considerou adequado o critério adotado pelo TRT mineiro, baseado em parecer técnico apresentado pelo trabalhador pautado na remuneração de mercado para o desenvolvimento de software, ‘‘entre 3% a 7% da economia gerada em razão da utilização da ferramenta’’.

Ficou vencido o ministro Evandro Valadão. Com informações da jornalista Lourdes Tavares, da Secretaria de Comunicação Social (Secom) do TST.

Ag-AIRR-10883-80.2017.5.03.0105 

CONSUMIDOR
STF fixa critérios para que planos de saúde cubram tratamentos fora da lista da ANS

Foto: Antônio Augusto/STF

Por maioria de votos, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, na quinta-feira (18/9), que os planos de saúde devem autorizar tratamentos não previstos na lista da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), desde que sigam todos os cinco critérios técnicos definidos pelo Tribunal. Conforme a decisão, em síntese, estes são os critérios:

– o tratamento deve ser prescrito por médico ou odontólogo assistente;

– o tratamento não pode ter sido expressamente negado pela ANS nem estar pendente de análise para sua inclusão no rol;

– não deve haver alternativa terapêutica adequada no rol da ANS;

– o tratamento deve ter comprovação científica de eficácia e segurança;

– o tratamento deve ser registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A decisão foi tomada no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7265, apresentada pela União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas).

A entidade questiona mudança na Lei dos Planos de Saúde (Lei 9.656/1998) introduzida pela Lei 14.454/2022. Segundo a norma, os planos são obrigados a oferecer tratamento que não conste na lista da ANS, mediante alguns critérios.

Preservar equilíbrio e evitar judicialização excessiva

No voto que conduziu o julgamento, apresentado na quarta-feira (17/9), o ministro Luís Roberto Barroso (relator) afirmou que a redação do dispositivo reduziu a capacidade de gestão do risco pelas operadoras e, potencialmente, poderia ampliar a judicialização. Também destacou a necessidade de garantir tanto a proteção dos beneficiários quanto a viabilidade econômica das operadoras.

O relator salientou que os critérios definidos no julgamento se basearam nas teses de repercussão geral fixadas pelo STF (Temas 6 e 1.234), que tratam do fornecimento judicial de medicamentos pelo SUS. As adaptações visaram assegurar a coerência entre os sistemas público e privado e evitar que as operadoras tenham obrigações maiores do que as do Estado e não respaldadas por evidências científicas robustas.

Também ficou definido que a Justiça só pode autorizar tratamento ou procedimento que não esteja no rol da ANS se forem preenchidos os critérios técnicos previstos na decisão. Além disso, deve ficar provado que a operadora negou o tratamento ou que houve demora excessiva ou omissão em autorizá-lo.

Votaram no mesmo sentido os ministros Cristiano Zanin, André Mendonça, Nunes Marques, Luiz Fux, Dias Toffoli e Gilmar Mendes.

Ficaram vencidos os ministros Flávio Dino, Edson Fachin e Alexandre de Moraes e a ministra Cármen Lúcia, que consideram a norma constitucional.

O entendimento dessa corrente é de que a lei já contempla as exceções que não podem ser cobertas pelos planos de saúde e que cabe à ANS fixar critérios técnicos para a autorização de tratamentos que não constem da lista. Com informações de Pedro Rocha, da Assessoria de Imprensa do STF.

ADI 7265